Hoje é Dia das Mães. Estou tão mal que silenciei o telefone em todas as mais de 5 chamadas que minha mãe me fez. Não dei Feliz Dia das Mães a ela.
Chorei sozinho enquanto cortava chuchu para refogar na manteiga. As duas letras Os do Google correndo saltitantes para entregar uma flor ao G-mãe deve ter contribuindo para isso.
Já chega de fingir que tudo é lindo, que eu não odeio ninguém.
Na segunda-feira, dia 07/04/2012, fui à consulta no infectologista. Sempre acho constrangedor ficar na frente da sala do setor verde com aquele monte de HIV + aguardando para aferir o peso, temperatura e pressão.
Agravou-se especialmente nesse dia por ter uma trava mal-acabada perecida com a Hebe. Ela era metida a comunicativa e puxava assunto com todos os utentes. Quando só tinham três pacientes, ela se prostrou na minha frente e disse:
_ Ei, você vai ser atendido aqui?
Tentei fingir que não a(o) estava escutando, mas a bixa era insistente. Então, resolvi levar o dedo ao ouvido e boca indicando que seria surdo-mudo. Nem sei se ela(e) engoliu essa, mas ao menos saiu de perto de mim. Decepcionada...
O pior é que fui atendido depois dela(e) e lá o paciente que sai chama o seguinte pelo nome que o doutor informa. Logo, ela chamou meu nome com aquela voz estridente e eu, na maior cara lisa, levantei-me como se por milagre tivesse voltado a ouvir.
Peguei remédio para dois meses – Lamivudina + Zidovudina e Efavirenz – e marquei novos exames que, claro, colocarei em detalhes aqui.
E ai, meu caros. Finalmente, depois de dois anos de penúria, pude pôr internet em casa.
Agora, TOMA!!!!
In Time:
Quem assistiu ao “Gainsbourg, o homem que amava as mulheres”?
_ Eu, eu, eu...
Cara, lá, fui apresentado à La Javanaise. Música francesa linda na voz do cara que ficou conhecido por – apesar de narigudo, magricelo e feio – pegar todas as mulheres que quisesse. Incluindo nessa lista a belíssima Brigitte Bardot.
Não sei se sou tarado, mas aquele homem de terno, com aquela voz rouca e fumando P/KRLHO, dá-me um tesão...
Escolhi os filmes errados para dormir com o barulho hoje.
N.Y., Eu Te Amo.
A cada esquete, mexo-me mais na cama e o sono não vem.
Já assisti inúmeras vezes a ele e sei quais serão os próximos esquetes.
O da cantora que se hospeda num hotel antigo de Nova York é o mais intrigante; não sei se ela queria se suicidar ou voltou por remorso pela queda do funcionário corcunda da janela do seu quarto.
Deveria ter escolhido algum do Jim Carrey. Comprei umas duas coleções dele. Piratão.
Pensei no Show de Truman, mas esse só tem a capa leve. É cheio de crítica intrínseca à mídia.
É domingo, amanhã pela manhã tenho que acordar cedo e ir ao trabalho.
A ansiedade é maior que o sono. O tic horal do relógio de pulseiras sortidas da Mormaii não tá ajudando muito.
E o pior? _ O pior é que nem motivo eu tenho. Pra nada.
Amanhã, dia primeiro de agosto de 2011, irei, como sempre, buscar meus medicamentos.
Isso na verdade é motivo de alegria. Uma hora de trem me permitirá ler alguma coisa e, no mais, o ar da capital só me faz bem.
Se é pra amanhecer o dia assim, melhor seria o outro: Paris, eu te amo – interessei-me por Oscar Wilde depois daquele beijo em sua sepultura. E o cego que se apaixona pela atriz incipiente: Ela gritas sem motivos... com motivos às vezes... Mas o que me toma de assalto é o casal de imigrantes negros africanos. Como alguém de carne e osso pode fazer algo tão bonito?!
Alguém sabe que música linda é aquela que ele cantarola?
Hum?
Alguém?
Bem! Vou procurar uma comédia boba para ver se o sono vem. Se não achar, amanhecerei insone. Afinal, já estou acostumado.
Se eu fechar os olhos bem agora, ainda posso te enxergar em amarelo – linda, olhos levemente caídos – a entrar naquele palco.
Minha mente não podia acreditar, afinal “quem te deu esse direito. Na minha vida, só o meu dedo.” Com essas músicas falando de mim, e essa voz azulando lugares aqui.
Despir-me de vergonha é algo que só faço por ti. Adoro a ti – sua obra e seu jeito de cantar, com força; não o personagem que criaram.
Arrepio-me ao lembrar, naquele março de 2008, ao ouvir pela primeira vez Love Is A Losing Game no site MSN im concert.
“como podem ter forças, essas palavras soltas?”
Bebi? Bebi!
Cheirei? Cheirei!
Chorei? Chorei!
Mas não por ti, e sim pela vida: é duro quando constatamos que tudo isso não passa de um dia após o outro.
Uma mistura de tristeza e inveja me tomou naquele sábado – 23 de julho de 2011.
Em minha mente só uma certeza: não foram bastante aqueles dois shows assistidos em janeiro. E o pior? O pior é que na segunda-feira a vida se sucederá a outra...
Como disse Ferreira Gullar:
Morte de Clarice Lispector
“Enquanto te enterravam no cemitério judeu do Caju (e o clarão de teu olhar soterrado resistindo ainda) o táxi corria comigo à borda da Lagoa na direção de Botafogo as pedras e as nuvens e as árvores no vento mostravam alegremente que não dependem de nós”
Tudo só vem pra ratificar: “o amor é um jogo perdido”.
próximas semanas devo já estar com net em casa e voltarei a escrever diariamente. Agora, darei ênfase ao meu tratamento de TDA, transtorno que está me tirando o sossego e me fazendo perder oportunidades na minha vida pessoal e profissional.
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